A coragem de falar de si - e dos outros
Edição #336: Com a ajuda de Elizabeth Gilbert
Desde que lancei a minha coletânea de crônicas, vira e mexe ouço o mesmo comentário: “a sua vida é um livro aberto!”. Nessas horas, fico pensando se aquilo é um elogio, uma constatação, uma crítica. Prefiro encarar como algo positivo.
Algo com que já estou acostumada - afinal, venho publicando essas crônicas na newsletter semanalmente há mais de quatro anos. Algumas são profundamente pessoais, outras, menos. Algumas falam sobre livros e a minha paixão por ler, outras, sobre a vida em família ou o judaísmo.
Essa coisa de estar na caixa de entrada dos outros semanalmente com textos que mostram tanto sobre mim não me incomoda. Na verdade, é a forma que achei de falar de questões que tenho certeza que não sou a única a enfrentar. Certeza mesmo, pelos comentários e respostas que recebo toda semana. Nessas horas, me lembro que a escrita constrói pontes.
Essa questão da exposição ficou ainda mais em evidência após terminar de ler o novo livro de memórias da Elizabeth Gilbert (alô, Comer, rezar e amar e Grande magia). O livro se chama Todo o caminho até o rio: Amor, perda e libertação e a sinopse conta que ele narra o relacionamento de Gilbert com sua falecida companheira, a artista Rayya Elias, que era dependente de drogas e morreu de câncer de fígado. Era isso, ao menos, que eu esperava quando baixei a versão em inglês no Kindle no dia do lançamento.



