Alívio & esperança
Edição #339: os reféns estão de volta
Crédito: Times of Israel
Meu plano era escrever sobre outro assunto essa semana, mas como? Meu coração ainda está vidrado nas cenas de reencontros entre os reféns israelenses recém libertados pelo Hamas. Não consigo parar de assistir e reassistir, como se não acreditasse totalmente que aquilo é verdade. Que eles estão de volta para casa, que não há mais reféns vivos nas mãos do Hamas.
Meu corpo precisa se acostumar com um peso que saiu das costas, com o fim de uma dor que andava cravejada no peito, um misto de esperança e desesperança que tinha toda vez que pensava nos reféns presos em Gaza.
Então eu choro - mas dessa vez, é de alívio e felicidade. Depois de dois anos de uma dor profunda, diária, ao pensar nos destinos deles, um final feliz. Eles estão de volta, estão cercados por suas famílias, amigos e amores.
Para quem nãão éé judeu, pode parecer difíícil de entender essa reaçãão tãão forte. Israel parou ontem para assistir ao retorno deles. O país inteiro vibrou e comemorou. O mesmo valeu entre os judeus que não moram lá. Para um povo tãão pequeno e unido apóós sééculos de perseguiçõões, cada judeu éé como se fosse um parente. Como se cada refém fosse um irmão, um primo, um tio, um pai. O desastre que aconteceu a eles poderia ter acontecido com qualquer um de nós: afinal, eles sofreram toda aquela violência simplesmente por serem judeus.
Ainda falta o retorno dos corpos de 24 reféns. Mas respiro com mais facilidade depois de ontem, pois sei que nãão háá mais nenhum vivo sofrendo tortura nas mããos do Hamas.
Ainda falta o fim definitivo da guerra. Toda a violência precisa parar. O povo palestino precisa de todo apoio possíível para reconstruir Gaza. Israel precisa garantir a sua segurança, para que novos ataques como o de 7 de outubro de 2023 não aconteçam. A região precisa de paz. Mas pela primeira vez em muito tempo, voltei a sentir esperança.
Nessa hora, é inevitável pensar em todos os manifestantes pró-Palestina que gritaram pedindo o cessar-fogo e o fim da guerra. Onde estãão? Por que a Greta não está comemorando? Não era isso que queriam? Por que tanto silêncio? Por que os jornais do mundo inteiro não mostram as cenas dos reencontros dos reféns e suas famílias? Por que não estão condenando o Hamas por assassinar nas ruas de Gaza aqueles que foram considerados colaboradores de Israel? Era o fim da guerra que eles queriam, ou era o fim de Israel?
Nós judeus parecemos estar sozinhos na celebração da libertação dos reféns. Mas isso não mitiga a minha felicidade. Ao pensar em tudo que falta, em todos os silêncios, eu me lembro do que realmente importa: os reféns estão de volta. E há, sobretudo, uma esperança pela paz. É nela que me agarro hoje.
Meu plano era escrever sobre outro assunto esta semana — mas como? Meu coração ainda está preso às cenas de reencontros entre os reféns israelenses recém-libertados pelo Hamas. Não consigo parar de assistir e reassistir, como se ainda precisasse me convencer de que aquilo é verdade: que eles estão de volta para casa, que não há mais reféns vivos nas mãos do Hamas.
Meu corpo tenta se acostumar ao alívio, a esse peso que finalmente saiu das costas. Foram dois anos com uma dor cravada no peito — um misto de desesperança e medo que me acompanhava toda vez que pensava nos reféns em Gaza.
Então eu choro. Mas, desta vez, é de alívio e felicidade. Depois de tanto tempo de sofrimento, há um desfecho feliz. Eles estão de volta. Estão cercados por suas famílias, amigos e amores.
Para quem não é judeu, pode ser difícil compreender a intensidade dessa emoção. Ontem, Israel parou para assistir ao retorno deles. O país inteiro vibrou e comemorou — e o mesmo aconteceu entre judeus que vivem fora de lá. Para um povo tão pequeno e unido, depois de séculos de perseguições, cada judeu é como um parente. Cada refém poderia ser um irmão, um filho, um pai, um marido. O que aconteceu a eles poderia ter acontecido com qualquer um de nós: afinal, foram atacados simplesmente por serem judeus.
Ainda faltam os corpos de 24 reféns a serem trazidos de volta. Mas respiro com mais leveza desde ontem, porque sei que não há mais ninguém vivo sendo torturado nas mãos do Hamas.
Ainda falta o fim definitivo da guerra. Toda violência precisa cessar. O povo palestino precisa de todo apoio possível para reconstruir Gaza. Israel precisa garantir sua segurança, para que novos ataques como o de 7 de outubro de 2023 não se repitam. A região precisa, urgentemente, de paz. Mas, pela primeira vez em muito tempo, voltei a sentir esperança.
É inevitável, neste momento, pensar nos manifestantes pró-Palestina que pediram o cessar-fogo e o fim da guerra. Onde estão? Por que Greta Thunberg não está comemorando? Não era isso que todos queriam — o fim do conflito, o retorno dos reféns? Por que tanto silêncio? Por que não condenam o Hamas por assassinar nas ruas de Gaza aqueles considerados colaboradores de Israel? Queriam o fim da guerra — ou o fim de Israel?
Nós, judeus, parecemos estar sozinhos na celebração da libertação dos reféns. Mas isso não diminui a minha alegria. Diante de tudo que ainda falta e de tantos silêncios, lembro do que realmente importa: os reféns estão de volta.
E há, sobretudo, uma esperança de paz. É nela que me agarro hoje.

